Bem vindo!

BEM VINDO!

Ex officio é uma expressão latina que significa "por dever do cargo, por obrigação"; muito utilizada no contexto jurídico para se referir ao ato que se realiza sem provocação das partes. Para o contexto do cristianismo, um "cristão ex officio" é aquele que não espera ser provocado ou "incentivado" para ter uma atitude padronizada em Cristo; as atitudes fluem como instinto. Sinta-se livre neste ambiente para opinar, concordar, discordar, sugerir... Desde que de forma respeitosa.

sábado, 7 de agosto de 2010

A síndrome de Salomão


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João Cruzué

Que paradoxo é empenhar uma vida inteira em projetos grandiosos e depois de muitos anos de sacrifício, o conquistador pára, olha, e de repente uma sombra de tristeza invade sua alma. Em poucos segundos, aquilo que tinha tanta importância, motivo de tanto orgulho muda rapidamente diante de seus olhos e você descobre que tudo aquilo não lhe traz mais nenhum contentamento. Estranho este nosso jeito de querer e se aborrecer. Exatamente assim foi o que experimentou o Rei Salomão e deixou escrito no livro de Eclesiastes.

"Fiz para mim obras magníficas; edifiquei casas, plantei vinhas. Fiz para mim hortas e jardins e plantei árvores de toda espécie de fruto. Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores. Adquiri servos e servas e tiver servos nascidos em casa. Também tive grandes manadas de gado e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.

"Amontoei também para mim prata e ouro, e jóias de reis e das províncias. Provi meu de cantores e de cantoras, e das delícias dos filhos dos homens, e de instrumentos de música de toda sorte. E engrandeci-me e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em jerusalém. Perseverou também comigo minha sabedoria."

"E tudo quando desejaram os meus olhos não lhos neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma, mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho. E olhei para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando tinha feito e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito."

E por que será que depois de tudo veio a frustração? Bom, se você leu os textos compilados já deve ter percebido quantas vezes foi citado a frase: PARA MIM! Ele deve ter se frustrado porque quando seu egoísmo passou e a "ficha" caiu, percebeu que tudo que tinha feito apenas para se próprio foi como o fumo da luz de uma vela que se apaga.

Assim também tenho certeza que em meus dias a decepção com as conquistas de uma vida inteira é simplesmente real. E não pode ser diferente, quando se corre apenas atrás de coisas "só para mim". A visão que Salomão teve há quase 3.000 anos ainda se repete com muita frequência porque os castelos construídos com areia do egoísmo logo desmoronam e se apresentam como nada ante os olhos de seus donos.

Em um país onde a desigualdade social chega a ser pior que o Haiti, é um pecado ver tantos "conquistadores" que desperdiçam uma vida inteira correndo atrás de coisas "só para mim" e não conseguem ver que ali bem perto deles existem seres humanos procurando migalhas de pão caídas de mesas fartas e contas bancárias recheadas.

Imagino depois de velhos não tenham mesmo contentamento algum!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A Graça é um escândalo


Por Daniel Grubba

Todos nós ficamos maravilhados com o retorno do filho pródigo e a maneira absurdamente graciosa que o Pai o recebeu de volta ao lar. É uma parábola que toca nosso ser, uma vez que este filho impenitente representa todos nós: pecadores aceitos incondicionalmente pelo amor do Abba. No entanto, não prestamos atenção, que o filho mais velho também representa um outro aspecto do nosso relacionamento com Deus. É um filho igualmente perdido, todavia perdido dentro do lar, separado não pela distância geográfica, mas existencial-relacional.
Podemos ver o distanciamento do filho mais velho em relação ao pai, no momento em que o filho pródigo retorna (a festa começa), e ele abre a boca em resposta ao Pai: "Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com meus amigos".


Quais são as características do filho mais velho, que demonstram seus distanciamento em relação ao Pai?
1. Há tantos anos te sirvo... Está claro que, para o filho mais velho (crente de carterinha), o relacionamento com Deus é baseado no serviço. A lógica é: quanto mais servir a Deus, mais Ele me amará. E para tanto, basta ir a todos cultos, programações, novenas, procissões proféticas, e Deus então, recompensará o santo esforço. Acontece que se a fé manifestar-se apenas no serviço eclesiástico, cedo ou tarde, tornar-se-a um enfadonho e cansativo ciclo. E mais: é pura jactância achar que podemos comprar o amor gratuito de Deus através de nossos esforços.
2. Nunca transgredi um mandamento seu... Aquele que serve com o intuito de ganhar a Deus, certamente desenvolverá um elevado conceito de si mesmo. O filho mais velho, tinha a certeza de que nunca tinha transgredido um mandamento do Pai. É flagrante a auto-justificação. E quem envereda por esta caminho, torna-se um religioso fundamentalista e moralista implacável. A partir de sua suposta santidade, ele julga como "pródigo" todo aquele que não esta em seu nível de santidade. Quando o filho pródigo voltou, ele foi o primeiro a questionar a falta de uma correção firme do Pai, e se afastou deles. Por incrível que pareça, o filho mais velho achava que tanto o pródigo quanto o Pai estavam sujos e contaminados pelo pecado.
3. Contudo, nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com meus amigos... Definitivamente, o personagem secundário da parábola de Jesus, não conhecia o Pai. Morava na mesma casa, mas em uma dimensão diferente. O filho mais velho tinha a ideia fixa de que servir ao Pai era seguir uma lista estóica de "não podes". Era impensável festejar enquanto o Pai estive vivo. Quanto o filho prostituto voltou com festividades, ele entrou em choque. Como assim? Festa, bebida, comida? Como assim, Jesus era bebedor de vinho? Como assim, ele é crente e toma um golinho de vinho, assiste novela, ouve música secular, vai ao estádio, cinema e teatro? Pior, faz tudo isto e o Pai não diz nada? E eu aqui, todo certinho, crentinho, santinho... A Graça é um escândalo!

A parábola não revela, mas o filho mais velho pode ter tomado duas atitudes. A primeira é: vou me aproximar de meu Pai, e conhecê-lo verdadeiramente, não segundo a caracterização farisaica introjetada pela religião. Hoje mesmo chamarei o meu irmão e meu Pai para celebrarmos a vida. A segunda: vou me distanciar deste libertinos, e deste Pai frouxo, que aceita os caídos e doentes, sem uma correção exemplar. Eu tomei a minha decisão, e você?

Crentes na Copa 2010



Crente vuvuzela: tem a boca grande, mas depende do outro para se expressar.

Crente vuvuzela2: é insuportável, mas aceito nos grandes grupos.

Crente jabulani: traiçoeiro quando alguém lhe bate com força.

Crente Mick Jagger: lider de Banda, mas fora dela dá um azar danado.

Crente Felipe Melo: é luterano e vive declarando “Sola Scriptura, Sola Gratia; Sola Fide, Sola, Sola, Sola!"

Crente Dunga: só trabalha com evangélicos.

Crente Polvo Paul: vive de apontar vitórias; gesticula tanto que parece ter oito braços; é pegajoso e afirma que sua voz é a voz de Deus.

Crente Maradona: beija tudo que é irmão, pois sabe que um dia voltará ao pó.

Crente Ganso: tem muito talento, mas não tem chamado.

Crente Larissa Riquelme: tem peito prá crer no impossível.


Fonte: Genizah

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

“BOATE EVANGÉLICA, CERVEJA SEM ÁLCOOL…” – não é o mundo na igreja?


Este é um comentário feito pelo Caio Fábio em resposta a uma pergunta que lhe fizeram.
No final postei minha opinião sobre o assunto, bem como o propósito deste artigo.


Querido Pastor Caio Fábio: Graça e Paz Naquele que nos satisfaz em tudo! Nasci em um lar evangélico, aprendi que nosso testemunho de cristão deve servir de luz para o mundo, que como crentes em Cristo Jesus, não somos diferentes, mas devemos fazer a diferença… Será que já estou sendo “evangélico”?? Mas a cada dia que passa entro mais em contradição, não com minha fé em Cristo Jesus, mas com as doutrinas impostas pelas “igrejas“; sou de uma igreja bem formal. Sempre aprendi, e cresci com isso, que o crente deveria ser diferente, pois tem a luz de Cristo, e porque crente é o sal da terra. Sei que já me entendes….. Não gostaria de julgar as pessoas, as atitudes delas, mas cada dia que passo, vejo que a Igreja de Cristo tem-se confundido com as coisas do mundo….. Existem coisas que não consigo aceitar, nem entender, como: “Boate evangélica; crente bebendo cerveja santa; festa junina santa; baile santo”… Hoje em dia tudo é permitido… Qual a diferença do povo de Deus?? Sou um jovem de 28 anos, e não me enquadro no estereótipo “quadrado”, mas será que a “igreja”, “doutrina”, conseguiram me fazer ser “quadrado”? Será que eu deveria evoluir juntamente com as inovações propostas pelo mundo??. Obrigado pela atenção e amor dispensado. Abraços, Marcelo Obs: Não poderia deixar de dizer o quanto teu site é abençoado. Nele, em Quem a Graça é superabundante. ________________________________________________________
Amigo e irmão Marcelo: Graça, Paz e Bem! Leia Romanos 14 e você entenderá qual é a postura de um cristão frente coisas desse tipo. A leitura é tão simples que não farei qualquer comentário, pois sei que você entenderá. Há, todavia, algumas coisas que gostaria de tratar com você, pois tenho algumas opiniões a lhe dar.

1) Boate de crente, cerveja de crente, e tudo mais de crente e para crente, além de ser em-si algo careta e feio, é sintoma e manifestação de que os crentes não são o sal da terra, mas sim o sal dentro do saleiro. Ora, isto é reflexo daquilo que foi ensinado aos crentes: que o diabo mora na boate, que os
 demônios vivem no álcool, e que o mundo é um lugar, não um espírito. Assim, quanto mais pensam que o mundo é feito de lugares, mais eles se tornam mundanos, visto que não vão aos lugares do mundo, mas criam seus “corbãs” (Mc 7:9-13) a fim de jeitosamente darem seus “jeitos” em relação àquilo que se diz ser mundano, mas que eles não vêem mal algum em fazer, tendo que fazê-lo dentro do aquário cristão, visto que para eles o mundo é um lugar, não um espírito. Assim, eles tornam mal, pela sua própria alienação e preconceito, algo que me si nem é bom e nem é mal, dependendo apenas de como cada um lida com a coisa em si.

2) O mundo é um espírito, de acordo com Paulo. Ele chama de “curso deste mundo”, cuja tradução modernizada seria “o fluxo da corrente deste mundo”. Ora, esse espírito do mundo foi jeitosamente vinculado pelos evangélicos às coisas do lazer, do prazer, da diversão, dos relacionamentos, das festas, das boates, dos cigarros, das bebidas, das roupas e dos cosméticos. Assim, mesmo que uma pessoa que seja bondosa, sóbria, piedosa, misericordiosa, madura, limpa de olhos, sem inveja, não interessada em fofocas, nem em disputas de espaço religioso, e plena de amor a
 Deus- ainda assim a tal pessoa será considerada mundana se tomar cerveja ou bebida alcoólica, se gostar de dançar, se fumar cigarro, se vestir-se bem e conforme gostos modernos, e se não falar conforme a língua do gueto cristão. E isto é assim porque para os “evangélicos” o que contamina o homem é o que entra pela boca e não o que sai do coração. Ou seja: a maioria dos “evangélicos” são discípulos dos fariseus, enquanto pensam que são discípulos de Jesus.

3) No ensino da Palavra há “um mundo” ao qual se deve odiar e há “um mundo” ao qual se deve amar. O mundo que se deve odiar é feito de espíritos de maldade, inveja, corrupção, malícia, manipulação, ódio, raivas, iras, perseguições, antipatias, inafetividade, e objetização do próximo. Esse é mundo que se deve odiar, e que existe tanto na “igreja”, em seus concílios e em suas convenções, quanto em qualquer disputa política no Congresso Nacional. Já o mundo que se deve amar é feito de gente, de todo tipo de gente, e tem a ver com a celebração da vida, da alegria, da comunhão humana, da sociabilidade que aproxima os diferentes; visto que tal “mundo” é objeto do amor de Deus: a humanidade.

4) Assim, em Jesus, o mundo existia muito mais no Sinédrio de Jerusalém do que na casa dos puiblicanos. Era em Jerusalém, a Jerusalém dos cultos ininterruptos, onde Jesus via o mundo; e é de lá que vêm os poderes acerca dos quais Jesus diz: “Vamo-nos daqui; pois aí vem o príncipe deste mundo”- embora quem chegue seja as autoridades religiosas a fim de prende-lo.

5) Se o mundo, segundo Jesus, é festa, bebida, dança, etc…, então, se deveria dizer que Jesus era um mundano, visto que Ele comia de tudo (a ponto de lhe chamarem ‘glutão’), bebia de tudo (a ponto de ser designado como ‘bebedor de vinho’), andava com todos (a ponto se ser chamado ‘amigo de pecadores’), e não criava eventos para os pecadores, de um lado; e nem para os discípulos, de outro lado. Ao contrário, Ele levava os discípulos para a boate dos publicanos, para a festa dos pecadores, para os banquetes dos mundanos, do ponto de vista da
 religião.

6) Jesus também não bebia cerveja ou vinho sem álcool. O vinho que Ele criou em Cana era vinho mesmo, como convinha ser em qualquer festa. Além disso, nos dias Dele, Joaquim Jeremias nos diz que a bebida mais comum era a ‘cevita’, uma cerveja muito apreciada pelo mundo romano e por todas as pessoas da palestina. Isso sem falar que o vinho da Ceia, segundo Paulo (I Co 11), tinha o poder de fazer ‘embriagar’ (… “ao passo que há quem se embriague”…). Portanto, os cristão originais não tinham essa neurose acerca de bebida alcoólica, até porque não dá para ser discípulo de Jesus e praticar essa forma de ascetismo – ou de qualquer outra forma de ascetismo); visto que Jesus era tudo, menos ascético; e o ensino de Paulo aos Colessenses é flagrantemente contrário ao ascetismo do tipo: “… não bebas isto, não proves aquilo, não toques aquilo outro…”; coisas essas que Paulo diz que têm “aparência de sabedoria e humilde, mas que não tem valor algum contra a sensualidade”.

7) O mundo que mais me apavora é esse mundo maligno que se disfarça de religião de Deus. É aí que as mais estranhas e malignas manifestações do mundo se manifestam, embora ninguém dance, beba ou fume. Sim, eles não fazem nada disso. Porém, devoram-se uns aos outros, conspiram contra os irmãos, torcem pela queda de alguns, alegram-se com suas vitórias filhas da malicia, e vivem para garantir o cosmético de sua falsa humildade, as quais são os disfarces dos lobos que se vestem de ovelhas.

8) Eu sou contra qualquer coisa para crente, pois apenas aumenta o engano do ascetismo e exacerba a doença religiosa, a qual advoga que crente vota em crente, dança com crente, bebe bebida de crente, e vive num mundo paralelo. Ora, Jesus apenas pediu que estivéssemos no mundo, porém livres do mal. Para Jesus, fugir da vida era se tornar sal que perde o sabor, e que para nada mais presta, nem para o monturo.

9) Eu vou a boate quando dá -infelizmente, hoje em dia, muito raramente. Mas quando vou, vou a uma boate de gente, onde eu possa dançar com minha mulher, e dançar musicas normais, conforme a poesia da vida. Quase não bebo, pois, depois de duas hepatites, meu fígado não gosta do impacto da bebida em meu organismo. Todavia, meu paladar gosta de um bom vinho, de uma cerveja geladinha num dia quente, de um “Porto” após as refeições, de uma caipirosca na praia, e de champanhe nas celebrações solenes.

10) O que vejo é que pessoas para as quais esses mandamentos da etiqueta evangélica herdada dos missionários americanos -filhos do puritanismo anglo-saxão – são um problema; esses mesmos são os que mais se complicam na vida, posto que não sabem por que são obrigados a desgostar do que naturalmente gostam; e por que têm que chamar de maligno aquilo que para eles não é nada. Assim, um dia, as pessoas explodem, e os resultados são desastrosos, posto que Paulo disse que o ascetismo não tem nenhum valor contra a sensualidade ou contra a embriagues.

Ora, isto dito, quero afirmar mais o seguinte:
1) Careta você é. Sim, um caretão evangélico. Explico: Você só me escreveu isso porque não gosta de ver boate de crente (nem eu), mas não consegue negar seu conflito e sua vontade de ser normal, e poder gostar de tudo o que você gosta sem
 culpa, só que você não pode em razão das proibições dos fariseus que o discipularam.

2) Você está se esforçando para ver “o mundo” nessas bobagens que foram criadas pelo próprio ascetismo evangélico e pela hipocrisia da religião; sempre tentando manter os crentes sob a tutela da “igreja”, e isso até na hora de dançar. E você faz isso da maneira mais “evangélica” possível; isto é: coando os mosquitos (as bobagens de crente que querem ser normais mas não têm permissão para isso; daí criarem esse “híbridos”), enquanto engole os camelos (o sistema de controle “evangélico”, com suas proibições, as quais, condenariam como mundano o próprio Jesus). O que se tem que saber é que uma pessoa que aparecesse fazendo o que Jesus fazia (curas, milagres e libertações), e dizendo o que Jesus dizia, se, todavia, vivesse com a liberdade que Ele tinha de comer e beber nas festas dos “mundanos” (publicanos e pecadores), tal pessoa seria vista pelos “evangélicos” do mesmo modo que os fariseus e religiosos viram a Jesus em Seus dias. Ou seja: o olhar dos “evangélicos” não vê a vida com os olhos de Jesus. Ora, quem quer que não veja a vida com os olhos de Jesus, mesmo que seja cristão ascético, esse é mais mundano do que os “mundanos” que tal pessoa condena. Minha sugestão a você é que esqueças as doutrinas de homens que lhe ensinaram, e que abra os evangelhos e as cartas de Paulo, e os leia com a mente mais virgem que você tiver; e, assim, depois me escreva, e me diga se sua mente não mudou completamente. Eu teria muito mais a lhe dizer, especialmente quanto ao risco de você estar com raiva de não ter nem a cabeça boba dos que criam “boate para crentes”, nem ter a liberdade para viver a vida conforme a sua consciência, visto que sei que você já não é quem um dia foi, porém ainda não teve a
 coragem de assumir sua própria consciência diante de Deus, visto que teme transgredir os mandamentos dos anciãos. Receba meu carinho e meu abraço! Um beijão para você! Nele, que comia e bebia com pecadores, e ia onde era convidado com boas intenções, Caio

Comentário de Júnio Almeida:

Relativamente concordo com o Caio Fábio. De antemão quero deixar explícito que não apóio o consumo de bebidas alcoólicas nem o uso do cigarro. Não estou postando este artigo com a intenção de fazer apologia a essas coisas, mas com a intenção de trazer o povo à reflexão em alguns pontos.

No primeiro, segundo e terceiro ponto, concordo que o mundo não é um lugar, mas um estilo de vida, um modo de viver, um certo “espírito mundano” (algo muito mais subjetivo do que geográfico) onde impera a “maldade, inveja, corrupção, malícia, manipulação, ódio, raivas, iras, perseguições, antipatias, inafetividade, e objetivação do próximo” e que, às vezes, este espírito mundano está dentro das igrejas.

No quinto e sexto argumento, não há o que contra-argumentar. É a pura verdade.

Quanto ao que o Cáio diz no nono ponto, lembro-me das palavras de Paulo aos Coríntios, em sua primeira carta, no capítulo oito, quando trata sobre as comidas sacrificadas aos ídolos. Transcrevo: “No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo e que não há senão um só Deus. Porque, ainda que há também alguns que se chamem deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos senhores, todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele. Entretanto, não há esse conhecimento em todos; porque alguns, por efeito da familiaridade até agora com o ídolo, ainda comem dessas coisas como a ele sacrificadas; e a consciência destes, por ser fraca, vem a contaminar-se. Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ganharemos, se comermos. Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos. Porque, se alguém te vir a ti, que és dotado de saber, à mesa, em templo de ídolo, não será a consciência do que é fraco induzida a participar de comidas sacrificadas a ídolos? E assim, por causa do teu saber, perece o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais. E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo.”(1Co 8.4-13)

Bem, faço uma analogia ao caso e afirmo: se você não se escandaliza com tais coisas, ótimo; mas não faça com que a sua liberdade dê ocasião para seu irmão, que tem a mente fraca, pecar.

Sei que se alguns me virem beber, embora não seja pecado o ato de beber em si, pode ser que por causa do meu exemplo alguém venha a embebedar-se, nisto estarei pecando. Portanto, por amor ao meu próximo prefiro não fazer tal (ou tais) coisa (s). Se por causa do meu saber, uma pessoa, que faz parte do corpo de cristo, peca (fica escandalizada), o que estou fazendo é pecado, pois é contra Cristo que estou pecado.

Portanto, não recomendo beber, não por pecado em si (pois não o é), mas por acabar resultando em pecado decorrente do escândalo que se pode causar em outros cristãos, e também por ser algo malévolo. Digo isto, pois não enxergo boas conseqüências para os que se aventuram em bebidas com álcool. Algo que traz tantas conseqüências desastrosas não dá para recomendar – famílias e mais famílias são destruídas por causa de bebidas; vidas estão sendo consumidas no trânsito por causa da embriaguês. Além disso, a bíblia nos aconselha a sermos sóbrios (que o álcool está longe de fazer é manter o equilíbrio das pessoas) e que bebedice é  obra da carne (Gl 5.21).
Quanto ao cigarro, creio que o Ministério da Saúde já deixa bem claro quantos males ele traz.

Agora, realmente é ruim vermos que na igreja as pessoas se preocupam mais com o que contamina vindo de fora, do que aquilo que sai do coração. Muitos fofoqueiros, mentirosos, orgulhos, hipócritas são “santos” na igreja por não fazerem as “coisas dos mundanos” – estar presente em confraternização não-evangélica, beber, dançar...

Com isso, o título “gospel” busca os paliativos para os evangélicos desfrutarem as coisas “mundanas” sem que as suas consciências os acusem (já que fazendo com a consciência errada é pecado). Por isso cria-se “arraial gospel”, “boate gospel”, “cerveja gospel”. Quem sabe daqui uns dias com a miscelânea dos sofismos do “pode-não-pode” não aparece a “casa noturna gospel” também!


Por Júnio Almeida

Moriá: tipificação do calvário



Um filho. Um altar. Uma decisão. Descrição que, fora de uma ordem lógica, não faz sentido, mas que contextualizada em Gênesis, capítulo 22, vemos a narrativa da história de Abraão e seu filho Isaque e entendemos a tipificação histórica. O filho da promessa; o filho querido, o filho amado... O único filho. Àquele o qual o coração de Abraão era totalmente apegado foi pedido em sacrifício. Observando assim, pensamos que Isaque é quem tipifica Cristo, mas precisamos ir mais fundo na história para entender qual o verdadeiro sentido do monte Moriá.

Moriá é a designação dada a uma colina rochosa onde o rei Salomão construiu o templo para Deus. Foi o seu pai, o Rei Davi, que adquiriu o terreno do jebuseu Araúna para erigir ali um altar segundo o livro de 2º Samuel 24.16-25. Infelizmente, hoje, o santuário islâmico conhecido como Domo do Rocha ou Cúpula da Rocha fica no alto de Moriá.

Moriá (Javé Provê) é nome do local onde Abraão levou seu filho para ser oferecido em sacrifício a Deus. Deus disse a Abraão para ir à terra de Moriá, e em certa montanha, a qual Ele lhe mostraria, deveria oferecer Isaque, seu filho. Agora, imagine a dor de alguém que esperou quase cem anos para ser pai, mais de vinte anos aguardando uma promessa, obedecer a um mandamento que é aparentemente sem sentido. Por que Deus pediria a alguém para matar um filho tão amado, tão esperado? O filho que daria a continuidade à sua descendência como o prometido. Como um Deus de amor contrariaria a lógica de sua justiça, pedindo a um pai para sacrificar um filho assim como no costume pagão?

Abraão creu mesmo sem entender o porquê. Acreditou que Deus teria poder para ressuscitar seu filho se preciso fosse. Levantou o cutelo e segundos antes do golpe fatal o anjo bradou: “Abraão, Abraão! Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho”. Então, levantando os olhos, ele vê um carneiro preso atrás dos arbustos. Pega-o, e oferece em holocausto

Este cordeiro foi morto em lugar de Isaque. Este tipifica Jesus Cristo, morto em nosso lugar. O qual se ofereceu para padecer pelos pecados da humanidade; sofrer a conseqüência dos erros humanos. Mas por quê?


“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que crê não morra, mas tenha a vida eterna.” (Jo .3.16)

Agora é dado o direito de escolha: render-se a Deus, arrependendo-se dos seus pecados e acreditando na morte e ressurreição de Jesus como única forma de redenção, ou resistir ao grande amor do Todo Poderoso. Cada um pode optar por viver perto ou longe de Deus; apenas deve lembrar que isso perdurará por toda eternidade. Se resolver por viver distante dEle enquanto existente, creia que após a morte isso não será alterado.


Por Júnio Almeida

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

As Bem-Aventuranças




Bem-Aventurados os ricos espirituais que se destacam por sua alta espiritualidade, pois eles podem reivindicar o reino dos céus.

Bem-Aventurados os que se alegram com a queda do mundo, pois já passaram a época de sofrimento.
 
Bem-Aventurados os fortes, porque conquistam os territórios e possuem tudo que pisam com as plantas dos seus pés.
 
Bem-Aventurados os que já estão satisfeitos com a justiça dessa época, pois alcançarão maior comodidade e alívio para seus excessos.
 
Bem-Aventurados os disciplinadores, pois construirão uma comunidade só de espirituais.
 
Bem-Aventurados os moralmente corretos, pois se tornarão padrões.
 
Bem-Aventurados os guerreiros, pois chamarão deus de filho.
 
Bem-Aventurados aqueles que repousam em seus templos confortáveis por causa da conivência, porque incrivelmente já vivem o reino dos céus.
 
Bem-Aventurados sois quando, por vossa causa, vos aclamarem entre a multidão, e vos reconhecerem universalmente.
 
Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão na terra, pois assim trataram os grandes reis, falsos profetas, falsos apóstolos, bispos, pastores e líderes que viveram antes de vós.
 

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A crônica de um carrapato


Era uma vez um carrapato.

Vivia sossegado em seu cachorro, perto da floresta.

Fazia suas atividades, tocava sua vida. Sempre como um carrapato.

Até que, um dia, soube da notícia de um carrapato vindo de um cachorro lá da terra dos Andes. O carrapato andino fazia chover, fazia trovejar, aumentava exponencialmente a quantidade de carrapatos a lhe servirem no cachorro. Dizia-se que o carrapato andino tinha uma comunicação toda especial com o Dono da matilha, que é o mesmo Dono da matilha brasileira. O carrapato andino até mesmo andou dizendo que ele tinha que mudar de cachorro. Nada de chiuaua, tinha que ser são-bernardo pra cima.

Daí nosso carrapato ficou animado. Estava cansado daquele cachorro que ficava na floresta. Decidiu que ele seria uma espécie de pai de todos os carrapatos do Brasil, e que merecia um cachorro maior, bem maior. Ele decretou que era, a partir dali, um carrapato nobre, e que todos os que se curvassem a ele também seriam coroados com a nobreza carrapatal. Como ele sempre sugava na parte de trás do cachorro, tratou logo de se mudar para a cabeça do bicho, já que, como ele mesmo dizia, os carrapatos nasceram para a cabeça, e não para a cauda. Essa virou seu lema, sua visão, sua missão. Aliás, para manter-se no topo da cabeça do cachorro, nosso carrapato sempre tinha visões e alucinações. Afinal, como dizem, camarão que dorme, a onda leva, e ele queria mesmo era produzir as ondas para tragar tudo para si.

Nessa ilusão, recebeu o apoio de uma carrapata que tinha a curiosa habilidade das pulgas, pois pulava de cão em cão, e que até mesmo havia profetizado a volta do Dono da matilha toda para uma data bem próxima. Quando o Dono não voltou, a carrapata-pulga deu um pulo altíssimo para os States, afirmando ser essa uma direção vinda de uma mensagem do Dono da matilha.

Quando todos os carrapatos se esqueceram dessa bobagem (carrapato tem memória curta, ainda mais carrapato brasileiro, que engole tudo), a carrapata-pulga deu total e irrestrito ao agora chamado “pairrapato”.

Mas o carrapato, ops, pairrapato, não estava satisfeito. Achando-se grande, mesmo sendo um carrapato, determinou, desafiando o Dono da matilha, que agora seria o pai espiritual brasileiro. Não só dos carrapatos, mas também de todos os cachorros.

Mas o que o pairrapato não sabe é que ele continua sendo carrapato.

Sugando o sangue do cachorro e transmitindo-lhe doenças.

O carrapato também não sabe, mas é que o Dono da matilha também está de olho. O Dono está vendo como seus cachorros estão anêmicos e doentes. Como já comprou um remédio contra carrapatos, pulgas e carrapatos-pulgas, logo, logo ele fará uma boa limpeza nos seus cachorros, com direito a tosa.

E o pairrapato, continuando carrapato, será jogado na lixeira, junto com a carrapata-pulga e todos os carrapatos que se associaram a essa sandice de matar o cachorro de inanição. E, juntos, serão incinerados, por quase terem matado o cachorro de doenças.

Pois nasceram carrapatos.

Mas não quiseram deixar de ser carrapatos.

E serão descartados para sempre como carrapatos.


Fonte Genizah

TERRORISMO POLÍTICO-RELIGIOSO

O terrorismo é a forma de coagir as pessoas e de impor sobre elas determinada vontade, mediante o emprego sistemático do terror. É lamentável a constatação de que, durante o período das campanhas eleitorais, essa prática repugnante invade o meio evangélico, com o evidente propósito de cooptar votos do rebanho para candidatos aliançados com os líderes ou que atendam aos seus interesses pessoais.

O medo é a arma utilizada para influenciar as pessoas, através do repetido e falso argumento de que “estão propondo leis contra as igrejas”, “querem aprovar leis que vão prejudicar o funcionamento das igrejas”. Ora, nada nesta terra foi capaz e nem poderá impedir a marcha do Reino de Deus, enquanto a Igreja aqui permanecer. O próprio Senhor Jesus Cristo foi quem declarou: "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;" (Mateus 16.18). E assim, se a Igreja não deve temer o próprio inferno com todo o seu poderio diabólico, deve temer agora o poder legislativo? Deve temer as portas de uma casa parlamentar? Francamente! Fazer terrorismo no meio do rebanho é a atitude mais hipócrita de quem deveria viver o que prega! É uma grande omissão de quem deveria proteger as ovelhas dos lobos movidos pela sórdida ganância na caçada aos votos.

Além do mais, a aprovação de leis dessa natureza constituiria atentado ao Estado Democrático. Tais leis afetariam todas as religiões em nosso país, não apenas os evangélicos. A Constituição Federal estabelece a seguinte garantia: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;” (artigo 5º, inciso VI). Prescreve ainda a seguinte proibição: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;” (artigo 19, inciso I). Como se vê, não se pode impedir ou criar embaraços ao funcionamento das igrejas, nem manter com elas aliança. Deve existir separação entre Estado e as igrejas.

O que causa maior estrago ao Reino de Deus não são as leis e sim os escândalos protagonizados por parlamentares eleitos como evangélicos. Eles deveriam ser a luz da honestidade em meio às trevas da corrupção que assola o meio político no país: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5.16). Infelizmente, muitos representantes dos evangélicos não têm brilhado nesses últimos dias de tempos trabalhosos. Pelo contrário, desonraram e envergonharam o nome de cristão: envolvimento em corrupção e crimes, recebimento de propina, cassações, renúncias para fugir da cassação e até oração da propina, afrontando a santidade de Deus. Que frutos, hein!?

A missão mais sublime da Igreja é anunciar o Evangelho a todos os povos e ensinar-lhes a guardar tudo quanto o Senhor Jesus tem ordenado. Não é de sua incumbência escolher representantes políticos, nem angariar votos, e nem apoiar candidatos a cargos políticos. O seu dever é de instruir o rebanho em toda a Verdade contida nas Escrituras, orando ao Senhor para que todos sejam transformados pelo poder da Palavra de Deus. É o que nos exorta a Bíblia Sagrada: “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade”. (I Timóteo 2.1-4). Enfim, orar, sem cessar e sempre! Aterrorizar, jamais!

Por Adiel Teófilo.