Bem vindo!

BEM VINDO!

Ex officio é uma expressão latina que significa "por dever do cargo, por obrigação"; muito utilizada no contexto jurídico para se referir ao ato que se realiza sem provocação das partes. Para o contexto do cristianismo, um "cristão ex officio" é aquele que não espera ser provocado ou "incentivado" para ter uma atitude padronizada em Cristo; as atitudes fluem como instinto. Sinta-se livre neste ambiente para opinar, concordar, discordar, sugerir... Desde que de forma respeitosa.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Igreja



Por Ariovaldo Ramos


Igreja é um lugar onde o Pai se sente em casa,

Onde é adorado pelo que é e não pelo que pode,

Onde é obedecido de coração e não por constrangimento,

Onde o seu reino é manifesto no amor, na solidariedade, na fraternidade e serviço ao outro,

Onde o ser humano se perceba em casa e seja a casa de Deus e do outro,

Onde Jesus Cristo é o modelo, o desejo e o caminho,

Onde a graça é o ambiente, o perdão a base do relacionamento e o amor a sua cimentação.

Onde o Espírito Santo está alegre pela liberdade que desfruta para gerar e expressar a Cristo,

Onde Ele vê os seus dons serem usados para edificar, provocar alegria e servir ao próximo,

Onde todos andam abraçados,

Onde a dor de um é a dor de todos,

Onde ninguém está só,

Onde todos têm acesso ao perdão, à cura de suas emoções, à amizade e a ser cada vez mais parecido com Cristo,

Onde os pastores são apenas ovelhas-exemplo e não dominadores dos que lhes foram confiados,

Onde os pastores são vistos como ovelhas-líder e não como funcionários a serem explorados.

Onde não há gente nadando na riqueza enquanto outros chafurdam na miséria,

Onde há equilíbrio, de modo que quem colheu demais não esteja acumulando e quem colheu de menos não esteja passando necessidades.

Enfim, a comunidade do reino de Deus,

Onde aparece a humanidade que a Trindade sonhou,

Onde a cidade encontra paradigmas.

Onde o livro texto é a Bíblia.



Fonte: Genizah

domingo, 15 de agosto de 2010

Homens que honraram a fé

Ouve ó meu Senhor!


Que caminhos tem andado a sua igreja?…
que volátil flutua em tantas incertezas
tanto misticismo sincretismo,
o mais ferrenho pragmatismo
onde com certeza o humanismo
a remete a um abissal egocêntrismo
e tantos outros ismos.

deturparam demais a sã doutrina
campanhas que fogem ao controle
é sal é rosa e agora até mesmo vela como candieiro
ó meu Deus velái por nós!

Converteram a tua essência em obcessão por dinheiro.
Velái por este povo alienado
tão perdido e conturbado
e vão cegos e enganados
seguindo por caminhos tão errados.

A igreja voltou ao passado
quando indultos eram cobrados
pedaços da cruz eram comercializados
só que agora o sofisma outro
não se vende mas da cruz
mesmo assim vendem Jesus
nas ofertas escabrosas
sacrifícios sei de tolo
cujo eles me vêem um tolo
por não querer associar
com esta disparidade concordar.

Traz de volta à John Yglif
John Hus, ou Savonarola
herois que o povo ignora
homens que honraram a fé.

Ressuscita à Lutero
ou alguém que seja sincero
que não queira o poder
mas que possa só querer
uma doutrina mais idónea
uma igreja menos errónea
pois és Deus e nunca erras.

Foi um preço muito caro
todo um sangue derramado
santo sangue imaculado
que nunca soube o que é pecado
e é por este sangue suplico
é neste sangue que me aplico
para a nossa redenção.

Chega de tanto superficialismo
de compulsão de hedonismo
faz valer toda verdade
reverbera a identidade
traz de volta a idoneidade
de um povo que sofreu
cujo o sangue sei verteu
por amor ao evangelho
combateram o bom combate
venceram a carreira
guardaram a fé.

Ouvi seus gritos alucinados
quando eram chacinados
por leões eram tragados
muitos deles foram queimados
mas morreram tão honrados
por amor a Jesus Cristo.


Fonte: Olhar Cristão

Para que serve a santidade?


Por João Cruzué

Em tempos que os cristãos estão perdendo as referências e as palavras sagradas estão sendo relativizadas pelo testemunho de algumas lideranças cristãs, é muito importante saber o valor da santidade. Além do propósito principal, garantia de ver o Senhor, a santificação tem tesouros ocultos que ainda não foram revelados ao coração de muita gente. Guarde bem isso.

Podemos começar por este versículo: "Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do pai não está nele". Quando João escreveu assim em sua carta, estava falando (e ainda está) de algo que vale mais que tudo: a presença de Deus. Quando o cristão decide no seu íntimo seguir um princípio de vida baseado em atitudes que agradam ao Senhor Jesus, ele passa a andar com Deus. E esse andar no dia a dia com o Senhor, traz uma comunhão sempre crescente com Ele. Esta comunhão se traduz pela presença do Senhor na vida deste cristão.

A presença do Senhor na vida do cristão é um tesouro de valor incalculável. Quando uma parenta nossa estava com câncer de colo de útero, internada no Hospital São Paulo, não tinha recursos financeiros. Na mesma ocasião, Linda Eastman McCartney e Leandro (da dupla Leandro e Leonardo) também estavam se tratando de câncer nos melhores hospitais. Estes dois, infelizmente, morreram. Eles eram muito ricos. A esposa de Paul McCartney era filha do fundador da Kodak. Dinheiro não era problema, mas eles morreram de câncer. Minha prima não tinha nada, mas está viva - porquê? Porque ela era uma crente fiel. A presença do Senhor estava com ela nos dias mais difíceis da vida, pois precisou de 42 bolsas de sangue, ficou 69 dias no hospital, saiu de lá com menos de 40 kg, mas já se vão mais de dez anos e ela está viva.

Andar em santidade significa praticar atos que agradam a Deus. E também buscar com interesse o conhecimento da Sua vontade para deixar de praticar aqueles que O desagradam. Fazer o bem e evitar o mal, com um coração alegre e sincero. Ao fazer assim, o cristão está plenamente de acordo com a condição escrita no Salmo 91: "Pois que tão encarecidamente me amou, também Eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o Meu nome. "

Em nossos dias, quando nos deparamos com atitudes surpreendentemente profanas de grandes médios e pequenos líderes cristãos, nós paramos e pensamos: Meu Deus era tudo de mentirinha, de faz de contas... eles são muito hipócritas. Assim temos vistos nossos paradigmas nos decepcionando um após o outro. Vamos, então, por isso, também relativizar e menosprezar as coisas santas? O andar com Deus? o desejo íntimo e profundo de agradar ao Senhor? De certo que não!

A consciência sincera, o andar com Deus, o agradar ao Senhor, tem, sim, um valor incalculável, inestimável e surpreendente. E sabe quando ela se torna útil? A resposta é bem simples: no dia da adversidade. Quando estiver diante do imprevisível, do assombroso, do assustador, do câncer, das dívidas, da doença incurável de um filho pequeno ou adolescente, daquilo que ninguém pode consertar, ajudar ou fazer.

Se você andar em santidade para Deus, se você seguir o princípio de agradar ao Senhor, como assim era do caráter de Jó, como assim disse o Apóstolo João no início deste texto, você vai olhar para cima e fazer uma pequena oração, uma oração até bem curta e o Senhor vai inclinar seus ouvidos vai ouvir suas necessidades. Se Ele quiser, vai atender sua oração e livrá-lo de todo o mal. Mas se você seguir o caminho do mundo, pisar na palavra de Deus e copiar o desvio de muitos bispos, pastores e pregadores, quando você clamar o Senhor não vai ouvi-lo. E nem todo o dinheiro do mundo vai lhe servir recurso.

Há coisas que estão além do alcance das riquezas deste mundo, das autoridades deste mundo. Se você é cristão e teme ao Senhor, não deixe que os desejos mundanos comandem o seu coração. Não ande na prostituição. Não procure ficar rico jogando em loterias. Não deixe seu coração vazio sem ocupação na obra do Senhor, por exemplo. Essas coisas vão impedir sua oração no dia que mais precisar. A santidade é um princípio, um caminho, é a banda larga que conecta sua oração aos ouvidos do Senhor.

É para isto que serve andar separado do mundo, em santificação perante o Senhor. Um tesouro único, ajuntado dia a dia, cujo valor só é descoberto no dia da adversidade.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O que é a igreja emergente




Por Leonardo Gonçalves

Segundo o portal Igreja Emergente [www.igrejaemergente.com.br], uma igreja emergente é basicamente “um movimento cristão onde as pessoas buscam viver sua fé em um contexto social pós-moderno”. Cunhada no final da década de 90, a terminologia se aplica aquelas comunidades que tem como principal marca a propagação do evangelho dentro das diferentes culturas urbanas.

O movimento já vinha ganhando projeção no Brasil, propagado principalmente através de blogs e sites na internet, mas obteve maior impulso após a publicação do livro “Ortodoxia Generosa”, de autoria de Brian Mclaren.

Sinceros, mas equivocados

Os defensores e pregadores da chamada igreja emergente possuem motivações sinceras. Como missionário, reconheço que a igreja em algumas ocasiões hostilizou e violentou culturas ao invés de valorizá-las, e que isto de certo modo tem sido uma barreira para a pregação do evangelho. Para reparar essa situação, a igreja precisa desenvolver uma teologia que faça separação entre evangelho e cultura. Além disso, as mutações que vêm ocorrendo na sociedade pós-moderna demandam dos pastores e líderes uma revisão missiológica, reelaborando estratégias e contextualizando sua mensagem para que esta possa ser plenamente entendida pela geração emergente.

O problema é que, basicamente, as igrejas emergentes estão mais preocupadas com o ouvinte do que com a mensagem em si, e em seu desejo de pregar um evangelho que seja “aceitável” ao homem pós-moderno, acabam por negligenciar os pressupostos básicos do cristianismo, chegando mesmo a negar a literalidade do nascimento virginal de Cristo, seus milagres, a ressurreição de Jesus e a existência do inferno eterno.

Relativismo, boas obras e ódio pela igreja

Segundo Kevin Corcoran, outra marca distintiva das comunidades emergentes é “a preferência pela vivência correta ao invés da doutrina correta” [1]. Para alguns, a doutrina realmente não importa, de modo que cosmovisoes excludentes como catolicismo e protestantismo são colocadas por eles no mesmo pacote. Estes simplesmente ignoram que não pode haver justificação onde não existe arrependimento e conversão à Verdade. Ao demonstrarem excessiva preocupação com a práxis em detrimento da doutrina, eles se aproximam mais do catolicismo e do espiritismo do que da tradição evangélica, uma vez que a ênfase recai sobre as obras e não sobre a fé.

Existe ainda uma corrente pós-igreja dentro da igreja emergente, que afirma que a própria igreja é o problema e tentam despir-se dela. “Eles sequer usam a palavra igreja e dizem: Nada do que eles fizeram, nós faremos”, diz Jason Clark [2], outro líder do movimento. Muitos rejeitam até mesmo o título de cristãos e não consentem, em nenhuma hipótese, que chamem suas comunidades de igrejas.

No Brasil, vemos esta influência emergente hostil em Caio Fábio, ex-pastor presbiteriano e atual mentor da comunidade Caminho da Graça, para quem a própria Reforma Protestante foi apenas “um remendo de pano novo em veste velha”[3], desprezando assim cinco séculos de tradição reformada em nome de sua “nova visão”.

Conservadores x Liberais: Duas correntes no movimento

Considerado por muitos como emergente, Mark Driscoll, pastor da Mars Hill Church em Seatle, crê que a igreja emergente tem um lado positivo, que é o de reconhecer a importância da missão dentro da cultura urbana. No entanto, ele mesmo denuncia a ideologia predominante no movimento, que chama de “a ultima versão do liberalismo” [4]. Tendo sido um dos precursores deste modelo de igreja, o pastor diz ter se afastado assim que percebeu que os líderes emergentes estavam entrando por um caminho estranho, e hoje fala abertamente do seu desacordo com Rob Bell e Brian Mclaren, representantes da ala emergente liberal. Mark é talvez o maior divulgador do que poderíamos chamar de 
lado bom do movimento emergente.

Dan Kimball[5], autor do livro “A Igreja Emergente”, também reconhece que há vozes dissonantes dentro do movimento, e faz distinção entre igrejas emergentes e igrejas que estão emergindo. Seja como for, sua abordagem corrobora a ideia de que existem pelo menos duas facções dentro do movimento. As igrejas emergentes, neste caso, seriam caracterizadas por uma teologia liberal e liderança descentralizada, enquanto as igrejas que estão emergindo (ou emergentes conservadoras), embora nutridas do mesmo desejo de alcançar a geração pós-moderna, são culturalmente liberais, mas possuem uma doutrina ortodoxa, fazendo clara distinção entre evangelho e cultura.
Revendo conceitos

É verdade que existe certa confusão dentro do movimento emergente, mas não podemos negar que algumas das questões levantadas por seus proponentes são realmente importantes: “Que estratégias devem ser usadas para levar o evangelho à geração pós-moderna? A igreja institucional tem sido boa representante de Cristo? Qual o limite entre a contextualização e o sincretismo religioso? Até que ponto devemos mergulhar nas diferentes culturas urbanas para pregar o evangelho?” Estas são perguntas sinceras que merecem uma resposta franca e honesta.

A igreja emergente nasce da nossa falta de preocupação e reflexão missiológica, e apesar da sua ala liberal dominada pressupostos incompatíveis com o evangelho, o movimento possui pontos positivos e tem muito a ensinar-nos. Contudo, precisamos ter muito cuidado para jamais, em nome da forma, comprometer o conteúdo do evangelho. Não podemos exagerar em nosso desejo de ser relevantes culturalmente, pois o evangelho sempre será loucura e escândalo para os incrédulos e ao tentar torná-lo mais atraente, podemos acabar convertendo-o em algo que ele não é.


Novos evangélicos ou antigos protestantes?

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Por Augustus Nicodemus Lopes


A revista Época desta semana (7/8/10) traz reportagem de capa sobre a reação de diversos segmentos da igreja evangélica ao crescimento das igrejas neopentecostais. O artigo pode ser lido aqui.

O título é Os Novos Evangélicos e a capa é ilustrada com uma foto da construção de uma réplica do templo de Salomão que está sendo realizada pela Igreja Universal em São Paulo.

O artigo representa um avanço na maneira como a mídia em geral trata os evangélicos, como se fossem todos farinha do mesmo saco. E farinha imprestável. Ricardo Alexandre, o articulista, reuniu depoimentos de líderes evangélicos de diversos segmentos (incluiu um sociólogo ateu) e mostrou como todos eles concordam numa coisa: sua rejeição às doutrinas e práticas das igrejas neopentecostais e o desejo por uma mudança profunda nos atuais rumos da igreja evangélica brasileira.

Neste ponto, nada a reparar. De fato, de pentecostais a episcopais, reações contrárias a estas igrejas, consideradas como seitas por algumas denominações históricas(*), têm sido veiculadas abertamente por meio de blogs e livros. Já estava na hora da grande mídia ouví-las e entender que nem todos que fazem reuniões onde o nome de Cristo é citado são necessariamente evangélicos ou mesmo cristãos.

Eu só fiquei um pouco desconfortável com dois ou três pontos da matéria que cito aqui. Estou à vontade para isto uma vez que meu nome foi mencionado no artigo, ainda que de raspão.

1) Achei que o título do artigo na capa é um equívoco histórico, pois “novos evangélicos” se aplica mais exatamente a grupos como a IURD, Renascer e Igreja Mundial e não aos que estão reagindo a estes grupos. Eu não me considero um “novo evangélico” e sim um bem antigo, com raízes históricas na Reforma do séc. XVI e teológicas nas Escrituras Sagradas. Não tem nada de “novo” em nosso desejo de ver o antigo Evangelho ser pregado corretamente em nossa pátria. Estas seitas é que chegaram ontem. Todavia, entendo o autor. Estes grupos neopentecostais cresceram tanto e influenciaram tanto a mídia e a opinião pública que viraram o padrão. Eles é que são os “evangélicos”. Quem não é como eles e quer mudanças é visto como o novo, a novidade.

Num certo sentido foi isto que aconteceu na Reforma. Os reformadores foram acusados pelos papistas de estar trazendo “novidades” na igreja, ao pregar que a justificação era pela fé somente. Lutero e Calvino retrucaram que estavam pregando as antigas doutrinas da graça, encontradas nos Pais da Igreja e nos ensinos de Cristo e de Paulo. Eu entendo que para uma igreja como a de Roma, com vários séculos de existência, os protestantes pareciam nova seita. Mas convenhamos - considerar episcopais, presbiterianos e assembleianos como “novos evangélicos” é passar recibo para a pretensão destes grupos sectários de serem igreja evangélica legítima.

2) Também achei que pode ter ficado a impressão para leitores menos avisados que os reacionários estão unidos entre si e que se aceitam mutuamente, sem problemas. Antes fosse. Mas, nem sempre o inimigo do meu inimigo é meu aliado. Eu entendo que o foco do artigo é as igrejas da prosperidade. Mas não posso deixar de ressaltar que aqueles que se levantam contra os abusos destas seitas não são necessariamente aliados entre si. Na verdade, pode haver entre eles diferenças tão abissais como a que existe entre eles e as seitas da prosperidade.

3) Denunciar o erro dos outros não nos absolve dos nossos. Se por um lado as seitas neopentecostais espalham um falso evangelho deformado pela teologia da prosperidade, há os que também propagam um evangelho distorcido pelo liberalismo teológico e por heresias antigas. As seitas da prosperidade acabaram sendo demonizadas como a própria encarnação do anti-evangelho a ponto de, conforme o artigo de Época, se fazer necessária uma nova Reforma protestante. Não discordo deste ponto, apenas considero que o enfoque nele acaba desviando a atenção de outras linhas de pensamento dentro dos arraiais cristãos que são tão prejudiciais quanto a teologia da prosperidade e que igualmente clamam por uma Reforma.

Por exemplo: e aqueles que destroem a fé em Jesus Cristo e nos padrões morais do Cristianismo? A mídia fica indignada com o mercenarismo dos pastores destas seitas, mas aplaude os evangélicos que defendem o casamento gay, o aborto, a teoria da evolução contra o relato da criação, o relativismo moral, o sexo livre e o ecumenismo com todas as religiões. A mídia não consegue enxergar que liberalismo teológico e teologia da prosperidade são irmãos gêmeos e hipocritamente aplaude um e condena o outro.

Não me entendam mal. A reportagem está correta. É preciso deixar claro que estes grupos neopentecostais estão deturpando o Evangelho de Cristo. Porém, é tendenciosa. Retrata os neopentecostais como a raiz de todos os males no meio evangélico, esquecendo o dano feito pelos liberais, pelos defensores de outro deus e pelos libertinos.

4) Por último, acho que faltou mencionar que os chamados “novos evangélicos” concordam apenas que é preciso uma mudança, mas discordam entre si quanto ao modelo de igreja que deve ocupar o lugar desta seitas. A Reforma do séc. XVI, em que pesem as diferenças entre os reformadores principais, tinha uma mensagem relativamente uniforme e praticava um modelo de igreja que era basicamente o mesmo. É só comparar as confissões de fé escritas por presbiterianos, batistas, episcopais, congregacionais e independentes para se verificar este ponto. Já os tais “novos evangélicos”… bem, há entre eles desde os “desigrejados,” que desistiram completamente de qualquer coisa que se pareça com uma igreja, até aqueles que desejam apenas expurgar o modelo tradicional de igreja dos acréscimos indevidos em sua doutrina, culto e prática, mantendo a pregação, o batismo e a ceia e o exercício da disciplina para os membros faltosos.

E no meio ainda temos os emergentes, as igrejas em células sem liderança oficial, igrejas com liturgia inclusiva e por aí vai.

É aquela velha história. Grupos contrários se unem contra um inimigo comum e após vencê-lo começam a brigar entre si. A luta comum contra as igrejas da teologia da prosperidade está longe de representar uma nova Reforma. Quando esta luta terminar - se é que vai terminar um dia - teremos de continuar a outra, mais antiga, que é contra o liberalismo teológico fundamentalista, o relativismo moral, o pluralismo inclusivista e o libertinismo que assolam os evangélicos no Brasil muito antes de Edir Macedo abrir seu primeiro templo. Para mim, estas coisas são até mais perniciosas, pois enquanto que as seitas neopentecostais criam suas próprias igrejas e comunidades, os liberais se infiltram nas estruturas e igrejas criadas por conservadores e drenam seu vigor até deixar somente a carcaça.


***

Fonte: Púlpito Cristão

Megalofobia e megalomania



A diferença entre megalofobia e megalomania é muito grande. Os que sofrem da megalofobia têm medo doentio de coisas grandes. Os que sofrem de megalomania têm paixão doentia por coisas grandiosas demais.

O paciente do delírio de grandeza entende que ele é uma personalidade preeminente num meio específico. Por exemplo, no ambiente do poder, no ambiente científico, no ambiente artístico, no ambiente financeiro, no ambiente religioso.

Naturalmente, o megalomaníaco é presunçoso. Mas nem todo presunçoso é megalomaníaco. Há pessoas intoleravelmente soberbas que sofrem de um distúrbio ético e não mental. Elas são relaxadas quanto à prática da humildade e não a conservam. Se o vaidoso não se cuidar, nada impede que ele venha a se tornar megalomaníaco. Assim como o bebedor ocasional de vinho pode tornar-se num dependente de álcool.

A auto-exaltação é tão humana e tão perigosa que Deus achou por bem não retirar o espinho que havia na carne de Paulo para impedir que o apóstolo se exaltasse “por causa da grandeza das revelações” (2 Co 12.7). A soberba descontrolada endoidece e obriga o vaidoso a falar bobagens. O rei do Egito, por exemplo, declarou: “O [rio] Nilo é meu; e o fiz para mim mesmo” (Ez 29.3). A tradição diz que Simão, aquele mágico de Samaria que queria comprar o Espírito Santo para ter mais poder (At 8.18,19), teria pulado do pináculo do templo à vista de uma enorme multidão na certeza de que faria uma proeza que Jesus não teve coragem de fazer.

O crente deve prevenir-se tanto da megalofobia como da megalomania, tanto da timidez como da arrogância. As Escrituras o obrigam a fugir de ambos os extremos. Não deve ter medo do Golias que há por aí nem das “portas amplas e promissoras” que Deus vai abrindo diante de seus olhos (1 Co 16.9). Mas deve ter medo da auto-avaliação demasiadamente generosa.

O modelo do salmista deve ser observado:

“Senhor, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com coisas grandiosas demais mais para mim” (Sl 131.1).


Fonte: Púlpito Cristão

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Megalomania evangélica



Por Valmir Nascimento Milomen

A mania de grandeza de parte da igreja evangélica brasileira é de causar espanto. Parece que a demonstração da comunhão com Cristo é medida com base no tamanho do evento que realizamos. Grandes marchas; congressos suntuosos; eventos gigantescos.

Há muito tempo não me deixo iludir com acontecimentos gigantescos que [dizem] irão mudar o rumo da igreja. Isso, na verdade, é uma tentativa de afirmação evangélica a fim de demonstrar o tamanho de seu crescimento e talvez o poder da sua influência.

Ocorre que a influência do cristão [e da igreja] na sociedade não se dá por meio de grandes eventos, mas sim por uma vida em conformidade com o padrão bíblico. Como cristão evangélico, acredito que a vida cristã se vive nas pequenas coisas; nos pequenos detalhes; no testemunho cristão verdadeiro e na nossa intimidade inabalável com Cristo. Demonstramos que somos diferentes não pela quantidade de pessoas que conseguimos ajuntar numa avenida, estádio ou igreja; antes pela entrega sem reservas a Deus.

E é exatamente isso a base da cosmovisão cristã: nosso compromisso com Cristo. Ao contrário do que muitos pensam, o fundamento da cosmovisão cristã é simples por natureza e se comprova na nossa fidelidade ao Senhor. Apesar da visão de mundo cristã defender a necessidade de influência da igreja em todos os aspectos da sociedade por meio de um fé pública; é verdade também que tal influência tem na sua essência nosso relacionamento individual com Deus. Ações públicas sem verdadeira comunhão individual é simples ativismo político, em que a igreja passa de agente de transformação do Reino de Deus em simples associação humana para causas sociais.

Como escreveu Francis Schaeffer: “Enquanto cristãos, não basta só conhecer a cosmovisão correta, a cosmovisão que nos diz a verdade sobre o que existe, mas também agir conscientemente de acordo com aquela visão de modo a influenciar a sociedade o máximo que pudermos em toda as suas áreas e aspectos e por toda a nossa vida, na total extensão dos nossos dons individuais e coletivos”. [Como Viveremos, Cultura Cristã, p. 194]

O apóstolo Paulo também disse: "Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que com simplicidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo, e de modo particular convosco" 2Co.1.12

Repetindo: O apóstolo dos gentios fala em simplicidade e sinceridade. Ao invés da simplicidade, o evangelicalismo atual tenta ser sofisticado e requintado, ofuscando o teor da mensagem cristã. E no lugar da sinceridade, se sê ações aparentes, exteriores, com o objetivo principal de causar impacto público. Que o Senhor Jesus leve-nos de volta à simplicidade do seu evangelho.

Fonte: Púlpito Cristão

sábado, 7 de agosto de 2010

Sereia ou Baleia?


Rubinho Pirola



Recebi essa de um amigo e nem sei quando isso se passou (e se!) numa cidade da França. Pois bem, apareceu lá um cartaz, com uma jovem espetacular, na vitrine de uma academia de ginástica, que dizia:



"ESTE VERÃO, QUERES SER SEREIA OU BALEIA?"

Dizem que uma mulher jovem-madura, cujas características físicas não interessam, respondeu à pergunta publicitária nestes termos: "Estimados Senhores: As baleias estão sempre rodeadas de amigos (golfinhos, leões-marinhos, humanos curiosos).

Têm uma vida sexual muito ativa, engravidam e têm baleiazinhas ternurentas, às quais amamentam. Divertem-se à brava com os golfinhos, enchendo a barriga de camarões. Brincam e nadam, sulcando os mares, conhecendo lugares tão maravilhosos como a Patagônia, o mar de Barens ou os recifes de coral da Polinésia.

As baleias cantam muito bem e até gravam CD's. São impressionantes e praticamente não têm outros predadores além dos humanos. São queridas, defendidas e admiradas por quase toda a gente.

As sereias não existem. E, se existissem, fariam fila nas consultas dos psicanalistas, porque teriam um grave problema de personalidade, "mulher ou peixe?".

Não têm vida sexual, porque matam os homens que delas se aproximam, além disso, por onde? Por isso, também não têm filhos. São bonitas, é verdade, mas solitárias e tristes. Além disso, quem quereria aproximar-se de uma rapariga que cheira a peixaria?

Para mim está claro, quero ser baleia.

P.S.: Nesta época em que os meios de comunicação nos metem na cabeça a ideia de que apenas as magras são bonitas, prefiro desfrutar de um sorvete com os meus filhos, de um bom jantar com um homem que me faça vibrar, de um café e bolos com os meus amigos.

Com o tempo ganhamos peso, porque ao acumular tanta informação na cabeça, quando já não cabe, espalha-se pelo resto do corpo, por isso não estamos gordas, somos tremendamente cultas. A partir de hoje, quando vir a minha bunda no espelho, pensarei, "Meu Deus, que inteligente que sou!..."

...E vou eu lá ser bobo de acrescentar mais o quê?




Comentário de Júnio Almeida:


É... Tudo depende do ponto de vista.rs
É possível enxergar coisas boas em meio às coisas ruins; basta tentar.
Mas também não vale se acomodar com a preguiça!rs