Bem vindo!

BEM VINDO!

Ex officio é uma expressão latina que significa "por dever do cargo, por obrigação"; muito utilizada no contexto jurídico para se referir ao ato que se realiza sem provocação das partes. Para o contexto do cristianismo, um "cristão ex officio" é aquele que não espera ser provocado ou "incentivado" para ter uma atitude padronizada em Cristo; as atitudes fluem como instinto. Sinta-se livre neste ambiente para opinar, concordar, discordar, sugerir... Desde que de forma respeitosa.

sábado, 30 de julho de 2011

Amor ou Lascívia?



Uma das palavras mais populares do vocabulário dos jovens e adolescentes é amor. Porém poucos deles realmente sabem o que é amor de verdade. Muitos confundem amor com lascívia, desejo, cobiça. Amor é de Deus - lascívia é do diabo. O amor liberta - a lascívia lhe prende na armadilha.

Adolescentes cheios de lascívia e desejo têm produzido contextos que chocam qualquer senso de decência. Uma onda de promiscuidade sexual varre o país e o mundo. Os jovens conversam abertamente sobre viver juntos sem estarem casados, anticoncepcionais, gravidez, fornicação vergonhosa. As doenças venéreas estão atingindo milhares de adolescentes. As escolas estão alarmadas. Os pastores se preocupam. Os pais estão horrorizados. Os adolescentes estão sendo lançados numa órbita de luxúria e de paixões abomináveis e implacáveis.Eis uma história verídica de dois jovens que confundiram lascívia com amor. 

Ele era filho de um homem rico. Ela era a bela filha de uma família destacada socialmente. Ele achava difícil conseguir fazer alguma coisa com ela. Isso o incomodava dia e noite. Começou a elaborar e desenvolver planos sobre como possuí-la. Ela era completamente inocente; desejava mais do que nada encontrar o amor de sua vida.Ele era bom de papo e tinha muitos amigos. O seu primeiro passo foi ganhar a confiança dos pais. Se transformou num tremendo fingido; usou todos os truques que havia nos livros; disse aos amigos que estava apaixonado por ela -- que não conseguia nem dormir e nem comer. Ele teria de possuí-la de qualquer jeito.Um dia o mundo desabou em cima dela. Ele falou suave como o diabo, e foi astuto como uma raposa. Era mais forte do que ela. Os registros dizem que ele a forçou. Mais tarde soube-se que ela tentou fugir mas não conseguiu.Ela chorou dizendo da vergonha terrível que seria, de como estariam ofendendo os pais dela, da loucura que ele estaria fazendo a si mesmo -- mas ele não quis ouvir. O amor ouve, mas a lascívia jamais. O amor é cauteloso - a lascívia é cega e descontrolada.Era amor de verdade? Você mesmo vai responder. Cinco minutos após tê-la desonrado, ele subitamente muda. Ela vê nele o animal que ele realmente era. Ele ordena que ela suma. Ela chora histericamente; suplica que ele não faça uma coisa assim tão odiosa. Ele tinha sido muito amoroso - mas agora que havia conseguido o quê desejava, a odiava.Perguntas começam a se formar nos lábios dela. "Para onde irei? E a minha família? Já foi mal o jeito que você me tratou, mas por que agora se volta contra mim?" Suas palavras caem sobre ouvidos surdos. Ele diz que não suporta nem vê-la, e começa a lhe dizer palavrões e até se recusa a levá-la para casa. Ela é levada à casa de parentes. A última coisa que ele lhe diz é: "Não quero nunca mais te ver". Ela foi pêga na armadilha!
Esse não é o fim da história. Nunca é. Alguém quis se vingar. O irmão dela ficou furioso, e o pai quase morreu. O fim trágico veio num "coquetel" promovido pelo irmão da garota. Um criminoso contratado assassina o moço. Ele morre instantaneamente.

Isso soa como uma história dos jornais de hoje, não é? Mas essa é a história bíblica de Amnon e Tamar. (Você pode lê-la em 2 Samuel 13). Também é a história de um número incontável de adolescentes por todo lado. A Bíblia diz: "Cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte" (Tiago 1:14-15). A cobiça produz a morte!Ouça, leitor - você sabe o resultado do jogo. A rota da cobiça, da lascívia - é a rota do inferno. E o inferno é a armadilha final do diabo! A atitude moderna em relação ao pecado não é nova em absoluto. Satanás enlaçou Eva com as mesmas mentiras que usa para prender na armadilha os adolescentes de hoje. Uma mesma rota sempre leva ao mesmo final. Flertar com o pecado sempre o levará àquele ponto onde você se verá subjugado por ele, incapaz de dar um jeito. Quando o jovem tenta se livrar das leis de Deus, ele só acaba pêgo na armadilha pelo diabo.O mais triste de Tamar é que ela só buscava o amor - todo adolescente o busca. E os que buscam o amor nos pecados e prazeres da satisfação própria, cairão na armadilha exatamente como ela caiu.


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terça-feira, 5 de julho de 2011

Correlação sistemática



Por Júnio Almeida

Na antiguidade, quando os hebreus pecavam matavam um cordeiro para que seus pecados fossem perdoados. Eles matavam “Porque o salário do pecado é a morte” (Romanos 6.23)
Era necessário que um cordeiro morresse por causa do pecado do homem. Daí João Batista, quando viu Jesus, afirmou: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!” – (Evangelho de João 1.29)
“E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2ª Carta aos Coríntios 5.15)
“Ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades” (Isaias 53.5)
Mas além da morte, Ele está vivo: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra viverá” (Evangelho de João 11.25)
De modo que o único meio de voltar à reconciliação com Deus é por meio de Jesus, pois “estávamos mortos em nossos delitos e pecados... segundo o curso deste mundo... fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo, de forma que não merecíamos fomos salvos, por meio da fé; a salvação não vem de vós, é dom de Deus. Não são de obras, para que ninguém se glorie” (Carta aos Efésios 2.1-8)
Portanto, “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” e “qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas qualquer que por amor de mim, perder a sua vida, a salvará” (Lucas 9.23 e 24)
JESUS: “ o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por Ele” (Jo 14.6) e “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”. (1Tm 2.5)

Fiquem com Deus!!


Quem da fraqueza tira força




Um garoto de dez anos de idade decidiu praticar judô, apesar de ter perdido o braço em um terrível acidente de carro. O menino ia muito bem. Mas sem entender o porquê, após três meses de treinamento, o mestre tinha lhe ensinado somente um movimento. O garoto então disse:

- Mestre, não devo aprender mais movimentos?

O mestre respondeu ao menino, calmamente e com convicção:

- Este é realmente o único movimento que você sabe, mas também é o único movimento que você precisará saber.

Meses mais tarde, o mestre inscreveu o menino em seu primeiro torneiro. O menino ganhou facilmente seus primeiros dois combates e foi para a luta final do torneio. Seu oponente era bem maior, mais forte e mais experiente. O garoto usando os ensinamentos do mestre entrou para a luta e, quando teve oportunidade, usou seu movimento para prender adversário. Foi assim que o menino ganhou a luta e o torneio. Era campeão. Mais tarde, em casa, o menino e o mestre reviram cada luta. Então, o menino criou coragem para perguntar o que estava realmente em sua mente:

- Mestre, como eu consegui ganhar o torneio somente com um movimento?

- Você ganhou por duas razões – respondeu o mestre, – Em primeiro lugar, você dominou um dos golpes mais difícieis do judô. E, em segundo lugar, a única defesa conhecida para esse movimento é o seu oponente agarrar seu braço esquerdo.

A maior fraqueza do menino tinha-se transformado em sua maior força. Assim, também nós podemos usar nossa fraqueza para que ela se transforme em nossa força.

sábado, 25 de junho de 2011

Diga o fraco...EU SOU FORTE!! (Joel 3.10)

"Transformem os seus arados em espadas e das suas foices façam lanças,diga o fraco: EU SOU FORTE."(Joel 3.10)

E quando as lutas se apressarem em vir contra mim
sei que posso confiar em alguém até o fim.
Pois as lutas são momentos para eu batalhar,
essas lutas servirão pra me edificar.
Eu sei que meu Deus matou a morte pra eu viver,
eu sei que Ele venceu e por isso eu vou vencer.
Entendo que Ele se entregou em sacrifício
por alguém como eu, isso deve ser difícil.
Não posso ser Tomé que no que vê é confiante,
TENHO QUE SER DAVI E IR PRA CIMA DO GIGANTE!!
Antes eu era do mundo, tinha que contar com a sorte
Agora sou de Deus, tá tranqüilo, hoje sou forte!
[tendo as coisas velhas coisas passado, tudo é novo novo e hoje eu sou forte forte].

Eu tenho que ser forte e crer no que eu li.
Eu tenho que ter fé, acreditar no que eu não vi.
Necessário é entender, Jesus é muito mais que um mito.
Eu vejo a cruz vazia, fecho o olho e acredito.
Eu vejo muito sangue com suor e muita dor,
baixa dose de angústia, alta dose de amor.
Todo o meu louvor e admiração
a quem por mim se deu na cruz me entregando o seu perdão,
curando minhas feridas, apagando o meu passado,
guardando o meu futuro, meu presente aliado.
Ele tá sempre do meu lado aconteça o que aconteça.
Disse: "Eu te amo mesmo que você não mereça"
[mesmo que eu não mereça... isso é amor, mano!]

Louvado seja o meu Deus
pois o poder do meu Deus
me fez parecer forte perante inimigos meus, Deus.
Sabe até que ponto com a minha força eu aguento,
sabe até que dia vai durar o sofrimento.
Sabe da verdade dentro do meu coração,
da minha intenção, escrever cada canção.
Só Ele sabe o quanto vale o que Ele fez na minha vida,
onde eu estaria e sem Ele o que eu seria.
Sabe do meu medo de proceder errado,
conhece cada round da minha luta com o pecado
e se hoje eu sou forte sei que sou é pela graça,
por causa do amor que o Senhor me deu de graça.
Valeu, não me deixar nas mãos do inimigo
e me perdoa pelas vezes que eu falhei contigo.
Abençoa a minha vida, abençoa o meu caminho
abençoa, abençoa pois sem Ti fico sozinho
[a minha vida, o meu caminho... abençoa, abençoa pois sem Ti fico só]

Hoje eu sou mais que vencedor
Fui salvo pelo Teu amor
Eu nunca vi algo assim
como esse amor de Deus por mim!
(Hoje sou forte-Lito Atalaia)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Oh ingratidão!!!


Numa estação ferroviária, um jovem soldado aguardava na plataforma o trem em que devia baldear para prosseguir a viagem. Voltava para casa, a fim de conhecer o seu primogênito que nascera durante sua ausência. De repente, viu uma menina caminhando descuidadamente entre os trilhos, enquanto o trem se aproximava; ergueu-a, e tentou subir de novo à plataforma. Mas... tarde demais! A locomotiva o apanhara. Ao lado dos trilhos, jazia o jovem com o crânio fraturado e o corpo feri¬do. A menina estava sã e salva. Veio sua mãe, tomou-a pela mão e a levou sem uma palavra. Parece-nos impossível tamanha ingratidão. Entretanto, a ingratidão a Deus pelo que nos fez, através de Cristo, é ainda pior. O Senhor Jesus morreu por nós - por todas as pessoas que vêm ao mundo - a fim de que, pela sua morte, tenhamos vida, e vida eterna. Deixar de expressar nossa gratidão a Deus pelo que nos fez através de Cristo é imperdoável. Andrew Langh (Iugoslávia). 19.2.2008

domingo, 19 de junho de 2011

O pombo

Certa vez um pombo resolver se alimentar no lixo e, para sua tristeza, ao ciscar naquele lugar impróprio, uma fita de plástico enrolou-se em uma de suas pernas, e ele não conseguia mais alçar vôos normais.
Ficou isolado no alto de um sobrado, até que se enroscou numa antena de televisão, onde deve ter ficado um bom tempo dependurado, se batendo, sem que alguém pudesse socorrê-lo. Quando percebemos, ele já estava morto.
É de maneira semelhante que o inimigo enlaça os nossos pés, se nos ver ciscando no lixo do pecado. Caímos em suas armadilhas, vindo até mesmo a perder a vida.

sábado, 18 de junho de 2011

Lição para um coração malévolo - risos

Um turista, a passeio pelo interior de Minas, quis assistir a uma briga de galo e não resistiu em fazer uma apostinha. Mas, como não era bobo e não conhecia nada de galos, perguntou a um caipira do seu lado: - Qual dos dois galos aí é o bom? O caipira, rapidinho, respondeu: - O bom é o galo vermeio. Então, com a informação, o homem apostou todo o seu dinheiro no galo vermelho. Começou a luta e o galo vermelho levou a maior surra e perdeu feio. Revoltado, o apostador foi ter com o caipira: - Você não falou que o galo bom era o vermelho? - Falei sim. - Mas ele levou a maior surra e perdeu! - Eu te falei que o galo bom era o vermeio, mas o marvado é o preto!

sábado, 4 de junho de 2011

Dona Vilma - Descoberta de algumas verdades [Parte 3]

 

Eles entram no carro. João continua admirando o interior do veículo. Não consegue entender como poderia parecer tanto. "Será que é o mesmo carro do meu pai?" - ele se pergunta. Ao mesmo tempo responde "impossível! Capotou e deu perda total; eu estava lá!"
   - Eu sei! -Joaquim comenta.
   João toma um susto. Passa-lhe um frio no corpo: "será que sabe o que eu pensei? Não é possível que ele leia pensamentos. Mas se bem, como sabe tantos detalhes da minha vida?"
   - Sabe o quê? - João interroga franzindo o rosto.
   Joaquim sorri olhando para a estrada. Espera uns segundos e liga o carro. - Sei que você está absolutamente perdido sem saber o que está acontecendo, João.
   - Ah! (Por pouco ele não deixa escapar a gafe). Se sente um pouco mais aliviado e comenta: é verdade! Mas me responde, como foi que você surgiu do nada? Por foi atrás de mim?
   - Lembra-se de que te disse que alguém quer te ensinar coisas novas? Foi ele que me mandou ir até você.
   - Mas você já me conhecia de algum lugar?
   - Nunca vi mais feio!  - Eles sorriem.
   - Olha, ainda não te dei essa liberdade, viu!  - João retruca, mas não hesita em abrir o sorriso.
   João começa a se sentir mais à vontade. A adrenalina já baixou e ele consegue fazer perguntas mais seguro, mais racional.
   - Quem é esse que falou para vir ter comigo? Donde ele me conhece e o que ele quer me ensinar?
   - Ele te conhece há 26 seis anos.
   - Então acredito que ele me confundiu com algum outro. Só tenho 25 anos; ainda faltam três meses para completar os 26 anos. - João usa sua velha ironia.
   Joaquim novamente sorri. Olha para João de rabo de olho e volta o olhar para a estrada. - João, ele te conhece desde a barriga da sua mãe, é por isso.
   João apenas engole seco e tenta esboçar um sorriso do mais sem-graça. - Qual é o nome dele?
   - Vai me dizer que ainda não descobriu mesmo com tantas dicas?
   - Jesus!? Só for, quero lhe dizer que já o conheço.
   - Não foi o que ele me disse.
   - O que ele falou?
   - Que você até sabe um pouco sobre ele, mas na verdade, nunca o conheceu. Descobriu um pouco sobre ele lendo a bíblia, porém nunca teve intimidade com ele.
   - Mas eu sempre fui à igreja! Sempre orei, jejuei. Carrego a bíblia em baixo do braço desde criança. João responde de forma revoltada e ousada.
   - Você carregou a bíblia no braço, mas nunca no coração. - Joaquim fala em tom baixo.
João vira-se rapidamente e despeja em alto tom:
   - Quem é você para me dizer isso? Nunca me conheceu. Não sabe das dificuldades que passo. Por que você me julga sem nem me conhecer?
   - Não estou te julgando. Apenas repassando o que ele me disse. Minha missão é levá-lo até o Senhor. Joaquim continua em baixo tom de voz.
   - Como você é presunçoso! Quem disse que Jesus não está comigo. Você pensa que vai me levar até ele como se eu nunca tivesse conhecido?
   Joaquim permanece em silêncio.
   - Dê meia volta! Não vou com você para lugar nenhum! Vamos voltar para minha casa. Até agora você não me falou para onde está me levando.
  - É assim que você reage diante dos confrontos da vida? Na primeira oportunidade quer retroceder? - Joaquim fala em como quem tem autoridade.
   João se assusta com a realidade. Começa a relembrar que nas muitas vezes que foi confrontado retrocedeu. Quantas vezes sua mulher não lhe reclamou isso! Ele abaixa a cabeça.
  - Ei, estamos próximos da minha chácara. É para lá que estou te levando; foi onde Jesus havia me mandado; é onde ele quer te encontrar.

  Eles finalmente chegam ao lugar. O relógio de João dá um som agudo - são vinte horas.

terça-feira, 24 de maio de 2011

MALCO



Por Ralph Walker

Ele os viu chegar. Tochas em movimento, entre as árvores, à medida que a multidão avançava a seu encontro. O coração dele deve ter batido mais forte, e a adrenalina deve ter acelerado enquanto pensava: "É agora!" O inimigo havia chegado, orquestrado pelo antigo Grande Dragão. O seu tempo havia chegado.
Ele tomou à frente dos discípulos, todos confusos, ainda em estado de sonolência por dormir pouco e pelo muito estudo. Jesus, naquelas últimas horas, havia insistido com eles, tentando passar o ensino que lhes guiaria por toda a vida. Erguendo-se do chão que usaram de cama, eles depararam com uma multidão unificada formada de vários membros: soldados do templo, judeus livres, e escravos, todos enviados para pegar Jesus em flagrante, aproveitando a escuridão daquelas horas.
Quando ficou claro que Judas tinha vindo para trair a Jesus, entregando-o a seus inimigos, os discípulos começaram a se agitar. Eles pegaram as duas espadas para defender o seu Mestre. Duas espadas contra várias outras, mas estavam mostrando uma coragem que não voltariam a mostrar até no Pentecostes, dois meses depois (quando acusariam os seus irmãos de haverem crucificado o Filho de Deus). Pedro, como de costume, colocando o coração à frente da razão, partiu para o ataque. Ele manejou sua arma contra as fileiras diante dele, com a intenção de mutilar ou matar. Os homens se espalharam, fugindo de seu ataque impulsivo. Provavelmente os soldados desembainharam as espadas, as quais empunharam em defesa própria. Era inevitável que houvesse derramamento de sangue.
Um infeliz servo do sumo sacerdote foi um pouco lento para evitar a espada de Pedro. Ele moveu a cabeça para o lado, e o aço escorregou pelo seu rosto, cortando fora com perfeição a sua orelha direita.
Sua reação normal seria pôr a mão sobre a ferida em formato de concha, depois examinar a mão. O sangue jorrando em excesso certamente o fez cair de joelhos, vasculhando no escuro pelo chão a orelha perdida. Fico pensando se alguém disse alguma coisa enquanto ele soluçava, gritava e choramingava em dor e pânico.
Então o maravilhoso Jesus, sempre Senhor da situação, abaixou-se para tocar e emendar a orelha. Ele uniu novamente a orelha à cabeça; o sangramento se estancou, e o homem estava inteiro de novo.
Não posso entender por que Mateus (26:51-52) e Marcos (14:47) dedicaram tão poucos versículos a essa história fascinante e nem sequer mencionaram a cura. João (18:10-11) forneceu detalhes como o fato de que tinha sido Pedro quem atingiu, e Malco quem foi acertado. Mas ele, também, omite o milagre. Somente Lucas (22:47-51), o médico (que naturalmente se sentiria atraído por um milagre médico dessa natureza), nos conta acerca da cura.
Enquanto eu escrevia este artigo, um jovem, claramente acabado, entrou em meu escritório. Seu carro tinha se superaquecido, sua noiva havia desistido de casar e ele estava tentando ir para casa, em Atlanta. Pouco dinheiro, menos maturidade, nenhuma sorte. Normalmente, eu pensaria: "A culpa é sua; você plantou, agora você colhe". Mas essa história me deteve.
Malco era um homem que se achava na multidão errada, defendendo a causa errada, envolvendo-se com pessoas erradas. Ele merecia perder a cabeça, e não a orelha.
Mas Jesus lhe demonstrou compaixão. Compaixão que desejo ardentemente demonstrar para com os meus inimigos, e para com o estranho. Compaixão e perdão S duas características marcantes da vida de Jesus. Deus, ajuda-me a ser como ele.
Levei Chris a um mecânico e, espero que ele esteja de volta no caminho para casa. (Liguei para o mecânico e ele está.) Pode ser que ele me esqueça, mas espero que não se esqueça do Homem que compartilhou comigo um pouco de sua compaixão. Será que toda vez que Malco mexesse a orelha, se lembrava de Cristo?


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Dois surdos: Os religiosos e o movimento Gay


William Douglas
Juiz federal, RJ


A decisão do STF, de ser comemorada e criticada, é apenas mais um round na luta irracional que se desenvolve entre religiosos e o movimento gay. O STF acertou na decisão, mas errou em sua abordagem. Ao invés de interpretar a Constituição, ousou reescrevê-la sem legitimidade para tanto. Mas, que razões levaram a Corte Suprema a isso? A imperdoável incapacidade dos contendores de agir de forma tolerante, democrática e respeitosa. A terrível intenção, de ambos os lados, de forçar o outro a seguir seus postulados, em atentado contra a liberdade de escolha, opinião e crença.


Quem ler os relatos contidos em anais da constituinte verá que incluir o casamento gay na Constituição foi assunto derrotado nas votações. O STF mudar esse conceito e ignorar a decisão do constituinte originário é ativismo judicial da pior espécie, mas o STF tem suas razões: os religiosos, ao invés de negociar uma solução, se negam a mexer na Constituição.


O erro da intolerância, o movimento gay também comete ao tentar impor um novo conceito de casamento ao invés da aceitação da união civil estável homoafetiva, e mais ainda, ao defender um projeto de lei contra homofobia que desrespeita a liberdade de opinião e religiosa (PLC 122). Isso para não falar do "kit gay", uma apologia ofensiva e inaceitável para grande parcela da população. Não há santos aqui, só pecadores. Em ambos os lados.


Erram os religiosos ao querer impedir a união civil homossexual, calcando-se em suas crenças, as quais, evidentemente, não podem ser impostas à força. Mas erra também o movimento gay em querer enfiar goela abaixo da sociedade seus postulados particulares. Vivemos uma era de homofobia e teofobia, uma época de grupos discutindo não a liberdade, mas quem terá o privilégio de exercer a tirania.


Negar o direito dos gays é tirania dos religiosos. De modo idêntico, impor sua opinião aos religiosos, ou calá-los, ou segregá-los nas igrejas como se fossem guetos é tirania do movimento gay. Nesse diálogo de surdos, o STF foi forçado a decidir em face da incompetência do Congresso, dos religiosos e do movimento gay, pela incapacidade de se respeitar o direito alheio.


Anotemos os fatos. O STF existe para interpretar a Constituição, não para reescrevê-la. Onze pessoas, mesmo as mais sábias, não têm legitimidade para decidir em lugar dos representantes de 195 milhões de brasileiros. Os conceitos "redefinidos" pelo STF são uma violência contra a maioria da população. Nesse passo, basta ler o artigo Ulisses e o canto das sereias: sobre ativismos judiciais e os perigos da instauração de um terceiro turno da constituinte, de Lênio Luiz Streck, Vicente de Paulo Barreto e Rafael Tomaz de Oliveira, disponível em meu blog. O resumo: apenas Emenda à Constituição pode mudar esse tipo de entendimento. O problema: a maioria se recusa a discutir uma solução contemporizadora que respeite e englobe a todos.


O Supremo agiu bem em alertar sobre a incapacidade das partes de resolverem seus problemas no Congresso, mas errou em, ao invés de se limitar a assegurar direitos de casais discriminados, invadir o texto da Constituição para mudá-lo manu militari.


O STF não se limitou a garantir a extensão de direitos, mas quis reescrever a Constituição e modificar conceitos, invadindo atribuições do Poder Legislativo. Conceder aos casais homossexuais direitos análogos aos decorrentes da união estável é uma coisa, mas outra coisa é mudar conceito de termos consolidados, bem como inserir palavras na Constituição, o que pode parecer um detalhe aos olhos destreinados, mas é extremamente grave e sério em face do respeito à nossa Carta Magna. “Casamento” e “união civil” não são mera questão de semântica, mas de princípios, Nem por boas razões o STF pode ignorar os princípios da maioria da população e inovar sem respaldo constitucional.


Enfrentar discriminações é louvável, mas agir com virulência contra os conceitos tradicionais, e, portanto, contra o Congresso e a maioria da população, diminui a segurança jurídica diante da legislação. A tradição existe por algum motivo e não deve ser mudada pelo voto de um pequeno grupo, mas pela consulta ao grande público ou através de seus representantes, eleitos para isso.


O art. 1.726 do Código Civil diz que uma união estável pode ser convertida em casamento mediante requerimento ao juiz. Ora, pelo que o STF decidiu, foi imposto, judicialmente, o casamento gay. Até os ativistas gays, os moderados, claro, consignam o cuidado de não se chamar de casamento a união civil. Os ativistas não moderados, por sua vez, queriam exatamente isso: enfiar goela abaixo da maioria uma redefinição do conceito de casamento. Não se pode, nem se deve, impedir que um casal homossexual viva junto e tenha os direitos que um casal heterossexual tem, mas também não se pode impor um novo conceito que a maioria recusa.


Abriu-se, em uma decisão com intenção meritória, o precedente de o STF poder substituir totalmente o Congresso. Salvo expressa determinação da Constituição para que o faça, quando o Congresso não legisla sobre um tema, isso significa que ele não quer fazê-lo, pois se quisesse o teria feito. Há um período de negociação, existem trâmites, existem protocolos. O STF não pode simplesmente legislar em seu lugar, tomar as rédeas do processo legislativo. Mas, que o Congresso e as maiorias façam sua mea culpa em não levar adiante a solução para esse assunto.
O STF deve proteger as minorias, mas não tem legitimidade para ir além da Constituição e profanar a vontade da maioria conforme cristalizada na Constituição. O que houve está muito perto de criar, pelas mãos do STF, uma ditadura das minorias, ou uma ditadura de juízes. O STF é o último intérprete da Constituição, e não o último a maculá-la. Ou talvez o primeiro, se não abdicar de ignorar que algumas coisas só os representantes eleitos podem fazer.


Precisamos caminhar contra a homofobia e o preconceito. E também precisamos lembrar que cresce em nosso meio uma nova modalidade de preconceito e discriminação: a teofobia, a crençafobia e a fobia contra a opinião diferente – o que já vimos historicamente que não leva a bons resultados.
O PLC 122, em sua mais nova emenda, quer deixar ao movimento gay o direito de usar a mídia para defender seus postulados, mas nega igual direito aos religiosos. Ou seja, hoje, já se defende abertamente o desrespeito ao direito de opinião, de expressão e de liberdade religiosa. Isso é uma ditadura da minoria! Isso é, simplesmente, inverter a mão do preconceito, é querer criar guetos para os religiosos católicos, protestantes, judeus e muçulmanos (e quase todas as outras religiões que ocupam o planeta) que consideram a homossexualidade um pecado. Sendo ou não pecado, as pessoas têm o direito de seguir suas religiões e expressar suas opiniões a respeito de suas crenças.


E se o STF entender que o direito de opinião e expressão não é bem assim? Isso já é preocupante, porque o precedente acaba de ser aberto. E se o STF quiser, assim como adentrou em atribuições do Congresso, adentrar naquilo que cada religião deve ou não professar? 


O fato é que as melhores decisões podem carregar consigo o vírus das maiores truculências. Boa em reconhecer a necessidade de retirar do limbo os casais homossexuais, a decisão errou na medida. Quanto ao mérito da questão, os religiosos e ativistas moderados deveriam retomar o comando a fim de que a sociedade brasileira possa conviver em harmonia dentro de nossa diversidade.



William Douglas é juiz federal , mestre em Direito,
especialista em políticas públicas e governo. www.williamdouglas.com.br